
Leio nos jornais, ouve-se nas rádios, vêm-se debates e notícias na televisão sobre o EMPREGO.
Dizem que o trabalho precário está a aumentar em Portugal.
Quem costuma proferir estas situações são pessoas a quem o simples cidadão tem como pessoas formadas, que quando falam são escutadas e levados a sério.
São os especialistas que têm por finalidade estudar estes fenómenos.
Ponto1
Mas, quando leio situações como, por exemplo mais de 21% da população activa está na situação de trabalho precário com contratos a termo certo, então é preocupante até porque se fala de um universo de 1,8 milhões de pessoas.
Eu lembro-me que quando o Dr. Mário Soares foi pela 1º. vez primeiro ministro e criou a situação de trabalho precário “contratados”,era para preenchimento de vagas em altura de férias, deixando assim de haver falta de mão de obra nesses períodos.
Ponto2
(artigo 44.º do Decreto-Lei n.º 247/87, de 17 de Junho).
O que veio a acontecer foi que as entidades patronais fizeram de uma regra de excepção uma prática comum fazendo com que nos dias de hoje o trabalho para toda a vida tivesse terminado.
Ponto3
Mais grave ainda se torna quando as entidades patronais começam a ver os trabalhadores com idades acima dos 45 anos, como já velhos e improdutivos, mandando-os para o desemprego para colocarem nos seus quadros jovens acabados de se formar aproveitando-se dos incentivos fiscais atribuídos pelo governo em relação ao 1º emprego.
O sr. Bagão Félix (antigo ministro do Trabalho e Solidariedade Social) aponta a situação económica actual como a causa responsável pelo que está a acontecer, ainda mais, ele refere-se que é “um mal necessário”, só tornando-se preocupante quando se tornar uma prática abusiva.
Reflexão: 1
Nestes anos todos, mesmo quando não estávamos em clima de recessão conforme alguns economistas dizem que estamos,
já abusos existiam porque basta ver o desemprego e o trabalho precário aumentar para que as ilações a tirar sejam a favor do patronato e em desfavor dos empregados e mesmo dos possíveis pretendentes aos lugares.
Os novos empregados entram ao serviço com muito menos regalias.
Ponto5
Regalias essas adquiridas ao longo dos tempos ganhas através de lutas, (greves, paralisações de trabalho).
Quando chamam a atenção da Produtividade dos trabalhadores eu fico em hibernação para não demonstrar a minha revolta, e porquê! só agora é que somos improdutivos? Só em Portugal é que somos improdutivos? Sim, porque nos outros países onde trabalham os portugueses somos considerados da melhor mão-de-obra e muito responsáveis pelos trabalhos que desempenhamos, estando a entidade patronal nesses países bastante satisfeitos.
Ponto6
Porque não se fala nos gestores em Portugal? Porque se dá cargos aos gestores para despedirem empregados com qualificações, que pelo facto de terem mais de 45 anos se tornam alvos a abater?
Porque não se faz a análise da Gestão desses senhores que chegam a levar empresas à falência por má gerência?
De certa maneira os empregados estão sempre desejosos de trabalhar mais e melhor não querendo de maneira alguma ir para o desemprego.
Ponto7
O Estado através dos seus governos vai permitindo que haja abusos e que os trabalhadores ao serem despedidos aumente o
Subsídio de desemprego, na sua totalidade mexendo com as contas públicas.
As pessoas sabendo-se que estão muito aptas e lúcidas para o desempenho das suas funções, começam a escudar-se com a reforma pois vêm o seu lugar de trabalho ameaçado.
POR FAVOR, O POVO PORTUGÊS É TRABALHADOR.
FAÇAM MELHOR GESTÃO DO FACTOR HUMANO COM CRIAÇÃO DE OPORTUNIDADES.
(Não é tirar uns para colocar outros).
Ponto 8
Reflexão: 2
Hoje, dia 28 de Junho de 2008, acendi a televisão para ouvir as notícias, logo na de abertura do bloco noticioso deram a imagem da manifestação promovida pela CGTP, uma central sindical representante de uma grande maioria da classe trabalhadora.
O jornalista comentava terem estado presentes cerca de 30.000 manifestantes que gritavam “NÂO” às novas alterações do Código Laboral.
Com a minha idade actual de (53 anos), e após tantas lutas cívicas, laborais, integração em manifestações, a colagem de cartazes após o 25 de Abril de 1974, a participação em comícios políticos, como por exemplo o colocar cartazes com “Palavras de Ordem” na Sociedade “Voz do Operário” para que se realizassem ali sessões de esclarecimento, a minha presença para ouvir os soldados Revolucionários para saber o porquê da Revolução dos Cravos.
Era na altura um jovem de 18 anos, que como todos os trabalhadores aspirava a uma vida mais justa socialmente.
Parando para reflectir, hoje, sinto-me magoado, enganado, roubado pelo tempo despendido nas lutas em que participavam milhares senão milhões de pessoas em que eu fazia parte e que nos dias de hoje uma centena de políticos arvorando-se representantes eleitos de parte do eleitorado português, alteram um tratado, que consigna os básicos e elementares direitos do trabalhador português em prol de … bem-estar social das famílias? Permitam-me pôr interrogações pois são muitos anos de vida laboral para aceitar de ânimo leve estas alterações, continuando a lutar pelas quais não se venham a verificar. Parafraseando uma gíria de esquerda “sempre que se luta nem sempre se atinge a vitória, mas não lutando a derrota estará sempre presente”.
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