
Trabalhando eu já há alguns tempos nos CTT, foi-me proposto que ficasse a chefiar uma secção de Recolha de Dados em regime interino.
Aceitei o lugar depois de ser conhecedor que a proposta vinha do Director o que iria proporcionar uma maior valência na minha vida profissional.
Nessas ocasiões, tive tempo e a oportunidade de aprender a lidar com colegas alguns dos quais mais velhos que eu e mais antigos na empresa, daí ter que usar de uma certa ética para lidar com as várias situações que ocorriam.
Nesses períodos aconteceram duas situações que me pareceram mais marcantes.
Ponto1
Uma, em que certo dia um colega dirigiu-se-me numa altura de muito trabalho pedindo para se ausentar para fora do local de trabalho ao qual eu acedi não sem antes lhe fazer ver a situação da quantidade de trabalho que estava para ser feito e que não o deveria passar para os colegas por não ser justo.
Entre nós ficou acordado que o mesmo o iria executar sem necessidade de ajuda.
Conclusão: este meu colega não só fez o trabalho dele como a partir desse dia passou a ser um óptimo colaborador não só comigo como também com os colegas fazendo trabalhos onde mais eram precisos.
Ponto2
Outra, foi quando uma colega veio pedir-me para ir a uma reunião de pais na escola onde seu filho estudava.
Depois de dizer logo que sim senhor não havia problema que estava autorizada. Qual o meu espanto quando sinto a colega a chorar, perguntei-lhe o que se passava e esta em lágrimas respondeu-me:
- Obrigado Alberto pela sua abertura mas colocam sempre tantos problemas que eu estava à espera de mais entraves.
Ponto3
Hoje ainda penso que para ser um bom chefe deve-se saber escutar e tentar perceber os problemas dos colegas como se dos nossos se tratasse e assim contribuir para uma boa harmonia no local de trabalho.
Estes períodos além de terem sido uma mais valia profissional, contribuíram também para a minha valorização como pessoa.
Ponto4
Estes meus trabalhos de informático com horários por turnos onde chegava a casa de madrugada, as horas de descanso, os cigarros, o álcool ingerido nas horas enquanto aguardava a vinda do sono, juntamente com o stress acumulado ao longo dos tempos acabariam por me provocar um Acidente Vascular Cerebral.
Esta situação acabou por criar em mim uma maneira de estar na vida quer pessoal quer laboral ao pensar o mal que andava a fazer à minha qualidade de vida.
Ponto4A)
Com a situação do AVC,o meu bem estar ficou bastante débil, o meu corpo perdeu as forças do lado direito, a escrita ficou imperceptível, o caminhar desequilibrado, as reacções mais lentas e o raciocínio bastante afectado.
Devia ter continuado a jogar andebol como tinha feito alguns anos atrás, fazer caminhadas, praticar natação teria de certeza minorado os efeitos que mais tarde feito acontecer no AVC, mas o tempo que tinha disponível após as tarefas que tinha para executar, era muitíssimo pouco, aliás no tempo que andei a fazer a recuperação para melhorar a qualidade de vida que tinha tido, levou-me novamente a praticar natação para que os meus membros voltassem a ganhar a estabilidade necessária.
Relembrando-me daquele começo de manhã já passaram 5 anos (2003) em que me comecei por me sentir com a cabeça vazia e mal estar geral, fez-me deslocar ao hospital do Barreiro onde após uma Tomografia Axial Computorizada e já eram 23Horas mais ou menos, porque fiquei despido de tudo do que era portador, por isso não sabendo sequer as horas nem tinha possibilidade de comunicar com a família para informar do que se passava, passado uns tempos estava eu deitado numa maca quando dois médicos ao perguntar pelo meu nome me vieram dizer que tinha que ficar hospitalizado.
Como o meu pensamento estava com a família e a preocupação que poderiam estar a passar, eu respondi sem levar a quaisquer dúvidas que não ficaria hospitalizado por nada deste mundo.
Os médicos nunca me disseram o que se estava a passar nem o resultado do TAC, só confrontavam-se com as minhas negativas de não ficar no hospital, pedindo-me para me manter calmo.
Após vários exames e vendo que respondia satisfatoriamente aos testes por eles efectuados fizeram-me assinar um termo de responsabilidade para poder sair.
Se tivesse sido conhecedor do que se estava a passar e do que me poderia vir a acontecer, nunca me teria vindo embora do hospital.
Quando cheguei ao meu automóvel vi que já eram 2H e 30 da madrugada e chovia copiosamente, mesmo assim tive forças e lucidez para chegar a casa.
No dia seguinte todos os sintomas se agravaram.
Ponto5
Depois de estar medicado pelos neurologistas com medicamentos que devem ser tomados até ao dia que acabar meu tempo na Terra, tais como: O Plavix; O Diazepan; o coversyl; a Trian-Diazina; e a Sinvastatina-, evitando desta maneira que a tensão arterial difícil de controlar se mantenha o mais estável possível.
Plavix é um medicamento denominado antiagregante plaquetário.
Serve para prevenção de formação de coágulos sanguíneos (trombos) que se formam em vasos sanguíneos endurecidos (artérias) que é um processo conhecido como aterotrombose que pode conduzir a avcs e ataques cardíacos.
O Diazepan é um medicamento Ansiolitico e sedativo que actua nas estruturas polisinápticas dos neurónios do sistema nervoso central, a substância é um tranquilizante típico que exerce efeitos ansioliticos, sedativos e relaxantes.
O coversyl è um estabilizador de tensão arterial, reduzindo assim o risco de doenças arteriais coronárias.
A Triam Tiazida R è um diurético economizador de potássio com actividade anti-hipertensora.
E por ultimo a Sinvastatina- è um medicamento que pertence ao grupo antidislipémicos.
È um medicamento redutor do nível de colesterol das LDL (colesterol mau) e de partículas de gordura denominadas por triglicéridos, e aumentar o colesterol das HDL bom no sangue.
Ainda sobre o tema de medicamentos que tenho de tomar, não posso deixar aqui de referir que houve tempos em que certos médicos negavam-se a receitar genéricos, argumentando que não teriam a mesma eficácia como os de patente reconhecida.
Foi então que fiz pesquisa sobre este assunto onde houvesse matéria que me desse uns esclarecimentos.
Eis o que fiquei a saber sobre medicamentos genéricos.
Estes têm as mesmas composições químicas (princípios activos) de que os patenteados. A patente é válida pelo período de 20 anos, quando esta expira, podem ser fabricados por menos de metade do preço ao consumidor.
A OMC (Organização Mundial do Comércio), introduziu importantes mudanças nas normas internacionais sobre o direito de propriedade intelectual.
Reconhecendo o direito à protecção da propriedade intelectual para desenvolvimento de novos medicamentos, não haja impedimento de tomar medidas de protecção à saúde pública, tais como concessões de licenças obrigatórias.
Os maiores produtores de genéricos do mundo são:
Índia, China, Brasil, e África do Sul.
A controvérsia sobre este tema manter-se-á até acabar a luta sobre a propriedade intelectual e a saúde pública, em que os países desenvolvidos continuam com as pressões politicas ou comerciais até que os países mais pobres sejam capazes de os produzir debelando em parte os lucros das Sociedades Farmacêuticas que não querem ver estes direitos intelectuais eliminados.
Resumindo: Sempre que houver um genérico vou passar a pedir que me seja receitado, logo quero aqui deixar bem presente a minha aceitação dos genéricos em relação aos patenteados. Caso seja necessário argumentar com os médicos posso dizer que em relação aos dados científicos, as bio equivalências entre genéricos e os outros têm de ser idênticas (não igual), sendo permitido variações que até nos medicamentos de marca com o mesmo principio activo essas variações também existem.
Ponto6
Nos 5 anos passados foram feitos exames tais como TACs tomografias axiais computorizadas), Ressonâncias Magnéticas, exames ao coração, neuropsiquiatrias (exames e testes psicotécnicos) que avaliaram a profundidade e extensidade do derrame.
Acabei por fazer 2 anos de muita fisioterapia. Depois de muitos tratamentos de métodos ocidentais onde fazia também natação, optei por experimentar com resultados finais muito positivos as terapias Orientais tais como a acupunctura que é um método de tratamento complementar de origem chinesa. Este método consiste na aplicação de agulhas em pontos e meridianos que vão fazer com que os nos músculos sejam estimulados.
Todos estes métodos foram necessários para que o meu estado debilitado começasse a ganhar novamente a qualidade de vida que me fizesse não ter de depender de ninguém.
Passado todo este tempo e após as grandes lutas entre mim e a minha debilidade, recuperando o meu bem-estar, sinto-me com uma energia renovada tentando levar uma vida mais calma com mais qualidade, evitando principalmente os abusos.
A nível laboral e após os médicos terem recomendado que não me fossem atribuídas funções que exigissem do meu cérebro grandes esforços, a empresa através dos meus chefes sempre foi muito compreensiva e colaborante ao atribuir-me tarefas com dificuldades menos stressantes.
Ponto7
Tendo sempre presente a minha condição de informático, nunca me devo esquecer da minha postura, ao estar sentado na cadeira devo manter as costas direitas e as pernas devem-se manter parcialmente encolhidas para evitar problemas de coluna vertebral. Para evitar as tão conhecidas tendinites de quem trabalha em frente aos computadores devo ter cuidado em ter o braço e mão apoiada na secretária sempre que estiver a manipular o rato ou a utilizar o teclado, assim como o descanso de 15 minutos que nos é atribuído de 2 em 2 horas deve ser cumprido para evitarmos problemas de visão, aproveitando também este tempo, levantando-nos para relaxar a postura de estarmos sentados.